PESQUISA SOBRE A GARANTIA DOS DIREITOS HUMANOS EM UM PROCESSO DE PLANEAMENTO PARTICIPATIVO DESENVOLVIDO NA GUINÉ-BISSAU

Um processo participativo realizado em dezembro de 2024 permitiu à Rede de Defensores de Direitos Humanos da Guiné-Bissau definir novas estratégias de atuação. A iniciativa fortaleceu a organização, promoveu soluções construídas em conjunto e surge como resposta concreta aos desafios na proteção dos direitos humanos no país.

By: Departamento da Comunicação

4/19/20262 min read

Planejamento Participativo e Direitos Humanos na Guiné-Bissau: Uma Experiência Transformadora

Em dezembro de 2024, a Guiné-Bissau viveu uma iniciativa marcante no campo dos direitos humanos, com a elaboração do Plano Estratégico da Rede de Defensores de Direitos Humanos (RDDH-GB). O processo, financiado pelo projeto “Melhorar o Sistema de Proteção dos Direitos Humanos”, apostou numa abordagem participativa para reforçar a atuação da organização num contexto nacional marcado por desafios estruturais.

Durante oito dias de trabalho intensivo em Bissau, membros da Rede envolveram-se diretamente na construção de estratégias, num exercício baseado no diálogo, na escuta ativa e na valorização das experiências individuais. Inspirado na pedagogia de Paulo Freire, o processo foi além de um simples planeamento técnico, promovendo um verdadeiro espaço de reflexão coletiva e tomada de decisão partilhada.

A metodologia combinou ferramentas práticas como a construção da linha do tempo da organização, a análise SWOT para identificar forças e fragilidades, a técnica de quadrimembração para estruturar dimensões organizacionais e a definição de um plano de ação com metas concretas para 2025 e 2026. O resultado foi um plano estratégico alinhado com a realidade local, capaz de ligar a trajetória da Rede aos desafios presentes e às ambições futuras.

Num país onde a instabilidade política, a fragilidade institucional e as dificuldades no acesso à justiça continuam a afetar a garantia dos direitos humanos, o papel da RDDH-GB torna-se ainda mais relevante. A organização atua na monitorização de violações, apoio às vítimas, promoção de reformas e capacitação de defensores, consolidando-se como um dos principais atores da sociedade civil nesta área.

O impacto do processo foi visível tanto a nível interno como externo. A Rede saiu mais coesa, com maior clareza estratégica e reforço da sua credibilidade institucional, abrindo caminho para novas parcerias e oportunidades de financiamento. Ao mesmo tempo, a experiência demonstrou que modelos participativos podem ser replicados em outras organizações que operam em contextos semelhantes.

Mais do que um exercício de planeamento, a iniciativa deixou uma mensagem clara: envolver as pessoas no processo de decisão fortalece instituições e gera soluções mais sustentáveis. Num ambiente muitas vezes marcado por limitações, a construção coletiva mostrou-se uma ferramenta eficaz para transformar desafios em oportunidades e reforçar a defesa dos direitos humanos na Guiné-Bissau.